quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Eu vejo o reflexo de mim mesma

As janelas “já nela”

Feliz pelas paisagens
Que vê e aprende através das janelas, já nela.

Mas lá fora o vento corta,
O sol esquenta,
A pele seca,
Os ossos afinam,
Nela...

E as janelas firmes enxergam e protegem,já nela...

Mas a vida continua,
E a criança enrugada por fora,
Continua inocente,
Querendo participar das cenas
Que já não são suas,
São dos seus que de si saíram,
Mas eles não perdoam,
Eles excluem,

Desorganizam,

Exasperam e renegam a própria existência,

Deles e de todos,
Roncam feito animais ensandecidos,
Desesperados,

Usurpam,
Aniquilam no que podem,
Empobrecem,
Dilaceram chamando para si
O direito de existir no que
Não criaram.

Machucam a si,
E a quem estiver por perto
Passam na frente,quando não por cima.

Esquecem-se
do endereço de origem,

Riem-se de si e o dos outros
Como hienas enfeitiçadas
Numa piscina de fezes,

Elocubram sobre onde fica o inferno
No qual nadam sem perceber.

Desalinham a si próprios
Negando o direito de existir
E de continuar.

As janelas continuam abertas
A alegria reina inocente e lá dentro está a criança,
De dentro das janelas tudo é possível
E inatingível;

Ah, que janelinhas boas,
Dormem e acordam cedinho,
E amanhã tem mais por ver
E acreditar,

As crias já não fazem poeira,

Se foram nos caminhos que escolheram
Fazendo barulho dos novos caminhantes
Que não conhecem o caminho.

E do jeito que vão, neles se perdem.

E o que as crias sabem fazer é só deixar:
O que é velho, enrugado e feio, parecido com àquelas mãos secas e seguir em frente incapazes de enfrentar a si e ao espelho refletor do velho,fraco e feio que um dia será. , se não tiver janelinhas...

E esquece da criança que está guardada cheia de alegria para encantar mais uns dias por quem vai passar.
Por que no etéreo nada é feio e é no etéreo que vão se transformar.

Acalme-se.

Um comentário:

Um Pouco de Tudo disse...

Linda te admiro uito beijo Sias
Muito bonita